Infecções na infância Publicado em 8 de julho de 2026 9 min de leitura

Otite na criança: sinais, o que observar e quando procurar o pediatra

A dor de ouvido é uma das queixas mais comuns na infância e costuma preocupar os pais, principalmente quando aparece à noite ou logo depois de um resfriado. Entenda o que é a otite, quais sinais observar em casa, o que ajuda a prevenir e em que momento vale procurar o pediatra para avaliar a criança com calma e segurança.

A dor de ouvido está entre as queixas que mais levam as famílias a procurar o pediatra, e a otite é uma das causas mais comuns desse desconforto na infância. Ela costuma aparecer de repente, muitas vezes à noite ou logo depois de um resfriado, e assusta os pais justamente porque a criança sente dor e fica mais irritada. Saber o que observar ajuda a agir com calma e a entender quando a situação pede avaliação médica.

Vale lembrar que a otite é frequente e, na maioria das vezes, faz parte das infecções comuns dos primeiros anos de vida. Isso não significa que ela deva ser ignorada, e sim que os pais podem se informar para reconhecer os sinais e buscar o cuidado certo. Este texto tem caráter educativo e não substitui a consulta, mas ajuda a família a entender melhor o que acontece.

O que é a otite

Otite é o nome dado à inflamação do ouvido. A forma mais comum na infância é a otite média, que acontece na parte do ouvido localizada atrás do tímpano, chamada de ouvido médio. Nessa região existe um espaço que normalmente contém ar e que se comunica com o fundo do nariz por um pequeno canal, a tuba auditiva. Quando esse espaço acumula líquido e inflama, surgem a dor e o desconforto típicos da otite.

Existe também a otite externa, que atinge o canal do ouvido mais próximo da parte de fora e costuma estar ligada ao contato com água, comum em quem nada com frequência. As duas provocam dor, mas têm causas diferentes. Por isso, identificar qual é o tipo de otite faz parte da avaliação do pediatra, que examina o ouvido da criança para orientar a melhor conduta.

Por que a otite é tão comum nas crianças

As crianças têm mais otites que os adultos por uma questão de anatomia e de fase da vida. A tuba auditiva, que liga o ouvido médio ao nariz, é mais curta e mais horizontal nos pequenos, o que facilita que secreções do nariz e da garganta cheguem até o ouvido. Somado a isso, os primeiros anos são marcados por muitos resfriados, que deixam o nariz congestionado e favorecem o acúmulo de líquido no ouvido.

Outros fatores contribuem para que a otite seja mais frequente em algumas crianças. Entre eles estão:

Como esses fatores variam de criança para criança, o número de otites também é diferente em cada caso. Entender o que está por trás das otites de repetição é um dos motivos para conversar com o pediatra, que avalia a história completa da criança.

Sinais que podem indicar otite

O sinal mais conhecido é a dor de ouvido, mas nem sempre a criança consegue dizer onde dói, principalmente os bebês. Por isso, os pais costumam perceber a otite por um conjunto de mudanças no comportamento. Fique atento se notar:

Nos bebês, que ainda não falam, a otite costuma se manifestar por choro, irritabilidade e dificuldade para dormir. Levar a mão à orelha é uma pista, mas nem sempre aparece. Por isso, mudanças no comportamento após um resfriado merecem atenção.

A ligação entre otite e resfriado

Muitas otites aparecem alguns dias depois de um resfriado, e isso tem uma explicação. Quando o nariz fica congestionado, a secreção e a inflamação podem se estender até a tuba auditiva e o ouvido médio, criando o ambiente para a otite. É por isso que a criança que estava apenas com o nariz escorrendo, de repente, passa a se queixar de dor no ouvido.

Essa relação mostra como as vias respiratórias estão conectadas. Cuidar bem dos resfriados, manter o nariz limpo com soro fisiológico conforme a orientação do pediatra e observar a evolução ajudam a perceber cedo quando um resfriado comum evolui para uma otite. Ainda assim, a otite não é culpa dos pais nem sinal de descuido, ela faz parte das infecções comuns da infância.

Como é a avaliação do pediatra

O diagnóstico da otite é feito pelo pediatra, que ouve a história contada pelos pais e examina o ouvido da criança com um aparelho chamado otoscópio, que permite ver o tímpano. Esse exame, somado aos sinais e ao tempo de evolução, é o que define se existe otite e de que tipo ela é. É por isso que a dor de ouvido não deve ser tratada por conta própria, sem avaliação.

Cada caso é analisado de forma individual. A conduta depende da idade da criança, da intensidade dos sintomas, do tipo de otite e da história de otites anteriores. Algumas situações melhoram com medidas de alívio e observação, enquanto outras exigem outra abordagem, sempre definida pelo médico. Nenhum tratamento deve ser iniciado ou interrompido sem orientação, e a automedicação não é indicada.

O que os pais podem observar em casa

Os pais têm um papel importante ao acompanhar a criança de perto. Vale observar quando a dor apareceu, se veio depois de um resfriado, se há febre, como estão o sono, o apetite e o humor, e se saiu alguma secreção pelo ouvido. Anotar esses detalhes ajuda muito na hora da consulta, porque oferece ao pediatra um retrato fiel do que está acontecendo.

Enquanto a avaliação não acontece, medidas simples de conforto podem ajudar a criança a se sentir melhor, como manter um ambiente calmo e oferecer líquidos. Qualquer medicamento, inclusive para dor ou febre, deve seguir a orientação do pediatra, respeitando a idade e o peso da criança. O uso de cotonetes ou a introdução de qualquer objeto no ouvido devem ser evitados, assim como pingar produtos por conta própria.

Cuidados que ajudam a prevenir

Não existe uma forma de evitar completamente as otites, já que elas fazem parte das infecções comuns da infância, mas alguns cuidados reduzem a chance de que apareçam com frequência. Entre eles:

Esses cuidados apoiam a saúde da criança de forma geral, mas não substituem a avaliação quando a dor de ouvido aparece. Eles fazem parte de um acompanhamento contínuo, que é a melhor forma de cuidar das otites de repetição.

Sinais de alerta que pedem atenção sem demora

Alguns sinais indicam que a criança precisa ser avaliada com mais rapidez. Procure atendimento sem demora se notar dor intensa que não melhora, febre alta ou que persiste, saída de secreção ou de sangue pelo ouvido, inchaço, vermelhidão ou dor atrás da orelha, ou se a criança estiver muito prostrada, sonolenta ou com dificuldade para se alimentar.

Esses sinais não servem para assustar, e sim para orientar. A grande maioria das otites evolui bem com o acompanhamento adequado, e reconhecer o que merece atenção mais rápida faz parte do cuidado. Diante da dúvida, é sempre melhor procurar o pediatra do que esperar em casa sem avaliação.

Quando procurar avaliação

Se o seu filho apresenta dor de ouvido, chora ao deitar, leva a mão à orelha, tem febre ou fica mais irritado depois de um resfriado, vale procurar o pediatra para uma avaliação. A dor de ouvido tem tratamento e acompanhamento, e quanto antes a criança é avaliada, mais tranquilo é cuidar do desconforto e evitar que o quadro se arraste.

Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico da otite e qualquer tratamento dependem sempre da avaliação presencial e individual da criança, feita pelo pediatra que a acompanha. Na dúvida sobre a dor de ouvido do seu filho, converse com um pediatra de sua confiança.

Cuidado respiratorio especializado para seu filho

Dr. Victor Falcone (CRM-RJ 1184954 · RQE 52376) acompanha asma, sibilancia, bronquiolite, pneumonia e alergia respiratoria infantil no Rio de Janeiro. Cada conduta depende de avaliacao individual da crianca.

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Perguntas frequentes

Como saber se meu filho está com otite?

Nem sempre a criança consegue dizer que o ouvido dói, principalmente os bebês. Os sinais mais comuns são dor de ouvido, choro e irritabilidade que pioram ao deitar, o bebê levando a mão à orelha, febre, dificuldade para dormir e menos apetite. Muitas vezes a otite aparece alguns dias depois de um resfriado. Diante desses sinais, o ideal é procurar o pediatra, que examina o ouvido e confirma se existe otite.

Otite depois de resfriado é comum?

Sim, é muito comum. Quando o nariz fica congestionado, a secreção e a inflamação podem se estender até a tuba auditiva e o ouvido médio, criando o ambiente para a otite. Por isso, uma criança que estava apenas com o nariz escorrendo pode, alguns dias depois, começar a se queixar de dor no ouvido. Isso não é sinal de descuido dos pais, e sim parte das infecções comuns da infância.

Posso dar algum remédio para a dor de ouvido antes de ir ao pediatra?

Qualquer medicamento, inclusive para dor ou febre, deve seguir a orientação do pediatra, respeitando a idade e o peso da criança. Medidas simples de conforto, como manter um ambiente calmo e oferecer líquidos, podem ajudar enquanto a avaliação não acontece. A automedicação não é indicada, e o uso de cotonetes ou a introdução de qualquer objeto no ouvido devem ser evitados.

Otite de repetição na criança é motivo de preocupação?

Algumas crianças têm otites com mais frequência, muitas vezes ligadas a resfriados de repetição, alergias respiratórias ou exposição à fumaça de cigarro. Otites que se repetem merecem uma conversa com o pediatra, que avalia a história completa da criança e orienta o acompanhamento. Entender o que está por trás dessas otites ajuda a cuidar de cada caso de forma individual, sem fórmula única.

Quando devo procurar atendimento com mais rapidez?

Procure atendimento sem demora se a criança apresentar dor intensa que não melhora, febre alta ou persistente, saída de secreção ou de sangue pelo ouvido, inchaço, vermelhidão ou dor atrás da orelha, ou se estiver muito prostrada e com dificuldade para se alimentar. Esses sinais não servem para assustar, e sim para orientar. Na dúvida, é sempre melhor procurar o pediatra do que esperar sem avaliação.

Dr. Victor Falcone
CRM-RJ 1184954 · RQE 52376 - Pediatra e Pneumologista Pediatrico

Pediatra com especializacao em pneumologia pediatrica, dedicado ao cuidado da saude respiratoria de bebes, criancas e adolescentes, incluindo asma, sibilancia, bronquiolite, pneumonia e alergia respiratoria. Atende no Rio de Janeiro. Conteudo educativo: a indicacao de qualquer tratamento ou medicacao depende sempre de avaliacao presencial e exame individual da crianca.

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