Corpo estranho inaladoPublicado em 23 de outubro de 20267 min de leitura

Estridor no bebê: o que a laringomalácia explica sobre a respiração ruidosa

Muitos pais percebem, nas primeiras semanas de vida, que o bebê faz um som agudo e áspero ao puxar o ar. O barulho aumenta durante a mamada, no choro ou quando a criança está deitada de barriga para cima, e some em alguns momentos de calma. Esse ruído tem nome: estridor. Na maior parte dos lactentes, a causa é a laringomalácia, uma condição em que as estruturas acima das cordas vocais ainda estão mais moles e se deslocam para dentro durante a inspiração.

Embora seja frequente e, em geral, tenha evolução favorável, o estridor sempre merece ser examinado. O mesmo som pode ter outras origens, e alguns sinais associados mudam completamente a conduta. Conhecer o padrão típico da laringomalácia ajuda a família a observar o bebê com mais tranquilidade e a reconhecer quando é preciso agir rápido.

Nem todo barulho respiratório é igual

O bebê respira predominantemente pelo nariz, e qualquer secreção já produz ruído. O som grosso, parecido com ronco, que muda quando se limpa o nariz, costuma vir das vias aéreas superiores e é chamado de estertor. O chiado, por sua vez, é mais musical e aparece sobretudo na expiração, quando o ar sai pelos brônquios estreitados, como ocorre em bronquiolites e em quadros de sibilância.

O estridor é diferente: é agudo, lembra um assobio rouco e surge principalmente quando o bebê inspira. Ele indica estreitamento na laringe ou na traqueia alta. Gravar um vídeo curto do som, mostrando também o tórax e a barriga da criança, é uma ajuda valiosa para a consulta, porque o ruído pode não aparecer no momento do exame.

O que acontece na laringomalácia

A laringe é a estrutura que fica na entrada das vias aéreas, logo acima da traqueia. Na laringomalácia, a região acima das cordas vocais apresenta tecidos mais flexíveis ou um formato que favorece o colapso. Quando o bebê inspira, o ar passa com força e puxa essas estruturas para dentro, estreitando momentaneamente a passagem e gerando o som característico.

Acredita-se que a imaturidade do controle neuromuscular da laringe tenha papel importante nesse processo. Não se trata de uma malformação causada por algo que a família fez ou deixou de fazer durante a gestação. Também não é contagiosa e não tem relação com resfriados, embora uma infecção respiratória possa deixar o ruído mais evidente por alguns dias.

Como o quadro costuma evoluir

O estridor geralmente começa nas primeiras semanas de vida. Pode se intensificar ao longo dos meses seguintes, à medida que o bebê fica mais ativo e mama com mais vigor, e depois tende a diminuir gradualmente. Em grande parte das crianças, o som desaparece entre o primeiro e o segundo ano, conforme a laringe amadurece e ganha firmeza.

Durante esse período, é comum notar que o ruído piora em determinadas situações:

Muitos lactentes com laringomalácia leve mamam bem, crescem de forma adequada e dormem sem dificuldade, apesar do barulho. Nesses casos, o acompanhamento costuma ser feito com observação e consultas periódicas.

Sinais que pedem atendimento rápido

O volume do som não indica, sozinho, a gravidade. Um bebê muito ruidoso pode estar respirando bem, enquanto outro, mais silencioso, pode estar fazendo esforço. Por isso, a família deve observar o conjunto. Procure atendimento imediato se houver pausas na respiração, lábios ou pele arroxeados, afundamento intenso entre as costelas ou abaixo do pescoço, cansaço evidente para respirar, engasgos frequentes com perda de fôlego ou sonolência fora do habitual.

Outros sinais exigem avaliação em breve, mesmo sem urgência: dificuldade persistente para mamar, mamadas muito longas e cansativas, vômitos frequentes, baixo ganho de peso, choro rouco ou muito fraco, estridor que aparece também na expiração e ruído que surgiu de forma súbita ou depois de alguns meses de vida. Esses elementos podem indicar uma forma mais intensa de laringomalácia ou outra causa de estreitamento das vias aéreas.

Como é feita a investigação

A avaliação começa pela conversa: quando o som apareceu, em que situações piora, como estão as mamadas, o sono e o peso. Dados do nascimento, intubação na maternidade, prematuridade e outras condições de saúde também orientam o raciocínio. No exame, o médico observa o padrão respiratório, ouve o ruído e procura sinais de esforço.

Quando o quadro é típico e leve, a hipótese pode ser considerada clinicamente, mas a confirmação da laringomalácia é feita pela visualização direta da laringe. O exame mais utilizado é a nasofibrolaringoscopia, realizada pelo otorrinolaringologista com um tubo fino e flexível introduzido pelo nariz, com o bebê acordado. Ele permite ver as estruturas se movendo durante a respiração.

Em situações selecionadas, como estridor com características atípicas, suspeita de alterações associadas ou necessidade de cirurgia, pode ser indicada uma avaliação mais ampla das vias aéreas sob anestesia. Exames de imagem, estudo da deglutição ou investigação do sono são solicitados conforme os achados, sem uma sequência fixa para todos os bebês.

Outras causas que entram na avaliação

Algumas condições também produzem estridor no lactente e precisam ser consideradas quando a história não se encaixa no padrão habitual. Entre elas estão a paralisia das cordas vocais, o estreitamento abaixo das cordas vocais após intubação prolongada, cistos, hemangiomas da via aérea e compressões por vasos sanguíneos próximos à traqueia. A traqueomalácia, em que a parede da traqueia é mais flexível, costuma gerar ruído mais evidente na expiração e tosse metálica.

Em bebês maiores, um estridor de início repentino pode estar relacionado a infecções, como o crupe, ou à aspiração de um objeto pequeno. Esse contexto é bem diferente do ruído que acompanha a criança desde as primeiras semanas e deve ser avaliado sem demora.

Refluxo, alimentação e cuidados no dia a dia

O refluxo gastroesofágico é frequente em bebês com laringomalácia. O esforço para inspirar contra a laringe estreitada favorece a subida do conteúdo do estômago, e o ácido pode irritar a região e acentuar o inchaço. O tratamento medicamentoso não é automático: depende dos sintomas, do ganho de peso e da avaliação médica individual.

Em casa, algumas medidas podem ajudar, desde que combinadas com o pediatra: oferecer mamadas com pausas para o bebê respirar, manter a criança mais elevada durante a alimentação e por alguns minutos depois, evitar excesso de volume de uma só vez e afastar a fumaça de cigarro do ambiente. Para o sono, a orientação segura continua sendo colocar o bebê de barriga para cima, em superfície firme, salvo recomendação médica específica.

Nos casos graves, com dificuldade alimentar importante, baixo ganho de peso ou episódios de falta de ar, pode ser indicada a supraglotoplastia, um procedimento endoscópico que remove ou ajusta o excesso de tecido da laringe. A decisão é tomada em conjunto pela equipe, considerando o quadro de cada criança.

Onde entra o pneumologista pediátrico

O cuidado do bebê com estridor costuma envolver pediatra, otorrinolaringologista e, em muitos casos, pneumologista pediátrico. Este último ajuda a diferenciar o estridor de outros ruídos respiratórios, avalia se existem alterações em traqueia e brônquios, acompanha crianças que também apresentam chiado ou infecções respiratórias e integra informações sobre crescimento, sono e alimentação.

No Rio de Janeiro, o Dr. Victor Falcone atende recém-nascidos, crianças e adolescentes como pediatra e pneumologista pediátrico, em consultórios na Barra da Tijuca e em Botafogo. O atendimento é particular, e o agendamento é feito pelo WhatsApp, respondido por ele mesmo. CRM-RJ 1184954 · RQE 61894.

Conclusão

O estridor causado pela laringomalácia costuma assustar mais do que compromete, e a maioria dos bebês supera o problema com o crescimento. Ainda assim, ele não deve ser tratado como um barulho sem importância. Observar a respiração, as mamadas e o ganho de peso, registrar o som em vídeo e procurar avaliação diante de qualquer sinal de esforço são atitudes que permitem um acompanhamento seguro e proporcional ao que cada criança precisa.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre estridor e chiado no peito do bebê?

O estridor é um som agudo e áspero que aparece principalmente quando o bebê puxa o ar e indica estreitamento na laringe ou traqueia alta. O chiado é mais musical, predomina na expiração e vem dos brônquios, como em bronquiolites e quadros de sibilância.

Até quando a laringomalácia costuma durar?

O ruído geralmente começa nas primeiras semanas, pode se intensificar nos meses seguintes e tende a desaparecer entre o primeiro e o segundo ano de vida, à medida que a laringe amadurece. A evolução varia de criança para criança.

Um estridor muito alto significa que o caso é grave?

Não necessariamente. A gravidade é avaliada pelo conjunto: esforço para respirar, pausas respiratórias, cor da pele, capacidade de mamar e ganho de peso. Um bebê barulhento pode estar respirando bem, enquanto outro mais silencioso pode estar com dificuldade.

Como a laringomalácia é confirmada?

A confirmação é feita pela visualização da laringe, geralmente por nasofibrolaringoscopia realizada pelo otorrinolaringologista, com o bebê acordado. Em casos atípicos ou com indicação cirúrgica, pode ser necessária uma avaliação mais ampla das vias aéreas sob anestesia.

Todo bebê com laringomalácia precisa de cirurgia?

Não. A maioria dos casos leves é acompanhada com observação e consultas periódicas. A supraglotoplastia fica reservada para quadros graves, com dificuldade alimentar importante, baixo ganho de peso ou episódios de falta de ar, e é decidida pela equipe que acompanha a criança.